Gisele Camargo e Gê Orthof na galeria Luciana Caravello

No dia 18 de outubro, Luciana Caravello Arte Contemporânea inaugura a exposição “Luas, brutos e sóis”, com seis pinturas inéditas, em grandes dimensões, da artista Gisele Camargo, que ocuparão todo o espaço térreo da galeria. Os trabalhos foram produzidos este ano, nos últimos três meses, mas fazem parte de uma pesquisa inédita da artista iniciada há três anos, que traz uma nova paleta de cores e novas experimentações da paisagem.

Obras de três séries distintas, que se relacionam entre si, estarão na mostra. Uma delas é “Brutos”, com pinturas originadas a partir da ideia de colagens, remetendo à justaposição de rochas, pedras e minérios. Esta série traz formas fragmentadas, de cores distintas, que ganham volume sobre um fundo neutro. Haverá, ainda, pinturas da série “Modificações”, com paisagens abstratas, mais pictóricas, que tem a ver com as modificações geológicas, e a série “Luas e Sóis”, com paisagens simbólicas, em pinturas mais gráficas. “Procuro formas que simbolizem algo, como o brilho da lua no rio, por exemplo”, diz.

O trabalho da artista sempre girou em torno da relação do homem com a paisagem, mas esse cenário era mais urbano, mais minimalista, permeando questões como o lugar e a arquitetura, com ângulos retos e contrastes entre luzes e sombras. A mudança no trabalho começou quando a paisagem ao redor da artista foi modificada. Uma viagem para o deserto de Cuyo, na Argentina, e a mudança de residência do Rio de Janeiro, onde nasceu, para a Serra do Cipó, em Minas Gerais, influenciaram diretamente seu trabalho. “O deserto é repleto de significados, existe o vazio, a solidão, que te obrigam a entrar mais em contato com você mesmo. A partir disso, a cor também começou a entrar no meu trabalho, a partir das cores do deserto”, conta a artista que costumava usar apenas cores mais gráficas, objetivas, como preto, branco e vermelho. Morar em meio à natureza, em uma das maiores reservas ambientais do Brasil, com natureza intocada, também fez o trabalho da artista tomar um novo rumo. “Com a paisagem diferente, o trabalho sofreu uma mudança grande. Uma parte da minha vida foi urbana e agora me propus a lidar mais com a natureza, experimentando essa outra relação”, conta.

GISELE CAMARGO
Luas, brutos e sóis
Abertura: 18 outubro 2018 | 19h às 22h
Exposição: 19 outubro a 17 novembro 2018

SOBRE A ARTISTA
Gisele Camargo (Rio de Janeiro,1970. Vive e trabalha na Serra do Cipó, MG) é formada em pintura pela EBA – UFRJ. Em 2013, recebeu o prêmio Arte Patrimônio / Honra ao Mérito do IPHAN, em 2012, recebeu a Bolsa de Apoio a Pesquisa e Criação Artística, Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro e, em 2011, o Prêmio Ibram de Arte Contemporânea. Em 2006 e 2003, recebeu o Prêmio Projéteis de Arte Contemporânea – Fundação Nacional de Artes – Rio de Janeiro.

Entre as principais exposições individuais destacam-se: “Cápsulas e Luas” (2015), no Paço Imperial, Rio de Janeiro; “Noite americana ou Luas Invisíveis” (2014), na Luciana Caravello Arte Contemporânea, Rio de Janeiro; “A Capital” (2011), Galeria IBEU, Rio de Janeiro; Prêmio Projéteis de Arte Contemporânea (2006), FUNARTE, Palácio Gustavo Capanema, Rio de Janeiro.

Entre as principais exposições coletivas estão: “A Luz que vela o corpo é a mesma que revela a tela” (2017), na Caixa Cultural, Rio de Janeiro; “Gray Matters” (2017), no Wexner Center for the Arts, Ohio State University, EUA; TRIO Bienal (2015), Rio de Janeiro; “Vértice – Coleção Sergio Carvalho” (2015), no Museu Nacional dos Correios, Brasília, DF; “Cruzamentos – Arte Contemporânea Brasileira” (2014), no Wexner Center for the Arts, Columbus, EUA; “Duplo Olhar – Coleção Sergio Carvalho” (2014), no Paço das Artes, São Paulo; “Dez anos do Instituto Tomie Ohtake” (2011), São Paulo; “O Lugar da Linha” (2010), no Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC-Niterói), Rio de Janeiro, e no Paço das Artes, São Paulo; “Nova Arte Nova” (2008/2009),no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro e São Paulo, entre outras.

Luciana Caravello Arte Contemporânea inaugura, no dia 18 de outubro, a exposição “Buraco”, com uma única instalação do artista Gê Orthof, inspirada nos contos do premiado escritor americano Tennessee Williams (1911-1983). O site specific, que ocupará o terceiro andar da galeria, articula o tradicional jogo de cartas com os contos, evocando espaços urbanos clandestinos, onde nada está escondido, mas nem tudo é visível.

A instalação minimalista é dividida em núcleos, que se espalham pelo espaço expositivo, através de construções com objetos em acrílico, MDF e cartas de baralho, simulando uma cidade, com pontos de luz e cores em néon, que iluminam, mas também trazem sombra para a instalação, fazendo uma articulação com os lugares visíveis e obscuros das cidades.

Assim como outros trabalhos de Gê Orthof, este também partiu de leituras do artista. A obra foi inspirada na coletânea de Tennessee Williams, mas mais especificamente em dois contos: “O desejo e o massagista negro” e “Os mistérios do Joy Rio”. Ambos foram escritos na década de 1940 e trazem histórias de homens de meia idade, que estão insatisfeitos e descobrem o prazer e a felicidade em lugares obscuros da cidade, como um local de massagem e um cinema. A questão plástica está presente em todo o trabalho. “É uma instalação de beleza, para falar do submundo”, afirma o artista.

Intencionalmente, o artista faz um jogo de escalas, em que objetos em miniatura ocupam um grande espaço. Para entender a instalação, será necessário entrar e observar com atenção os detalhes, como os pequenos bonecos que estarão em meio à instalação e observam tudo o que acontece. Um olhar mais atento demonstra, ainda, que as cartas de baralho que compõem a obra trazem figuras homoeróticas. “Embaralha-se, a um só tempo, desconforto e encantamento. Buraco propõe um campo aberto de negociações entre o voyeur e o exibicionista, entre a reprodução e a ruptura de formas tradicionais da experiência do corpo e da sexualidade”, diz o artista.

Nas paredes, cadernetas trazem apenas os diálogos dos contos, com o contexto apagado, mas através dos quais é possível perceber os sentimentos por trás das falas. Ainda nas paredes, haverá textos escritos à mão pelo artista, com trechos dos contos e anotações.

GÊ ORTHOF
Buraco
Abertura: 18 outubro 2018 | 19h às 22h
Exposição: 19 outubro a 17 novembro 2018

SOBRE O ARTISTA
Gê Orthof (Petrópolis, 1959. Vive e trabalha em Brasília). É artista, professor do Departamento de Artes Visuais da Universidade de Brasília (UNB) e Doutor em Artes Visuais pela Columbia University, Nova York, com pós-doc na Penn State University e na Tufts University. Possui obras em importantes coleções como: Museu de Arte do Rio (MAR), Museu Nacional, em Brasília; Centro de Arte Moderno, em Madri; Davis Museo, em Barcelona, entre outras. Recebeu diversos prêmios, entre eles: “Best of 2017: Our Top 20 Exhibitions Across the United States”, Hyperallergic, Nova York (2018); Prêmio CNI – Marcantonio Vilaça (2015); Prêmio Situações Brasília, Museu Nacional (2014), entre outros.

Dentre suas exposições individuais destacam-se: “Pasaquoyanism: The first card” (2017), no The John Michael Kohler Arts Center, nos EUA; “Many-splendoured thing” (2016), no The Portico Library, no Reino Unido; “1959” (2011), na Paradigmas Galeria, em Barcelona; “800ºC”, no Davis Museum (2010), em Barcelona; “J’écoute” (2009), no ARS 117, em Bruxelas; “La violencia de la historia: el suelo de Gertrud” (2008), no Centro de Arte Moderno, em Madri, entre outras.

Dentre suas exposições coletivas mais recentes estão: “Una pos-modernidad periférica” (2018), na Fundación Klemm, em Buenos Aires; Vencedores do 5º Prêmio Marcantonio Vilaça (2016), em Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Recife e Manchester; 10ª Bienal Mercosul (2015), Porto Alegre; TRIO Bienal Tridimensional Internacional do Rio (2015); Bienal do Porto (2014), Palácio de Cristal; Kulttuurikeskus Poleeni (2012), Pieksämäki, na Finlândia; Europalia – Le Palais des Beaux-Arts de Bruxelles (2011); Festival Performance Arte Brasil (2011), MAM Rio; Ruoli Segreti e Ruoli Proibiti (2011), Palazzo Albrizzi, Veneza, entre outras.

 

  • Aberturas: 18 outubro 2018 das 19h às 22h
  • Exposição: 19 outubro a 17 novembro 2018
  • Horário: de segunda a sexta, das 10h às 19h; aos sábados, das 11h às 15h
  • Local: Galeria Luciana Caravello Arte Contemporânea
  • Endereço: Rua Barão de Jaguaripe, 387 – Ipanema – Rio de Janeiro – RJ – Brasil
  • Telefone: +55 21 2523.4696 | 21 2512.9637
  • Site: www.lucianacaravello.com.br
  • Email: contato@lucianacaravello.com.br

 

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