A contínua transformação de Renata Adler

Em nova fase, com esculturas feitas com tornos de madeira, a carioca Renata Adler faz exposição-instalação na Casa de Cultura Laura Alvim.

Finas colunas de madeira torneada que recebem diferentes formas e anéis de cores vão impactar o público da Casa de Cultura Laura Alvim e convidá-lo a pensar num mundo em constantes e profundas mudanças. São os “camaleões” de Renata Adler, artista carioca, escultora, que faz sua nova exposição individual no Rio, “Uma contínua transformação”, de 8 de fevereiro a 31 de março. Por vezes, aparecem nestas esculturas elementos metálicos ou pequenos espelhos que vêm a interferir na sua verticalidade. Elas surgem do chão, caem em chuva do teto ou parecem perfurar muros, lembrando uma batalha de lanças.

Nesta fase de Renata, as esculturas são criadas predominantemente com madeira, mas ela também usa aço, cobre e cerâmica. Ela respeita o “DNA” do material, mas a transformação faz parte da performance.

“O nosso poder de transmutação é incrível, como os camaleões na metamorfose da cor, tudo em função da sobrevivência.  Nos meus camaleões, ouso evocar livremente a ‘Anima e Animus’ de que fala Carl Gustav Jung em sua obra ‘Eu e o Inconsciente’. Como artista, como mulher, falo aqui do meu lado masculino e de meu prazer de me confrontar com um trabalho físico de escultor, mesmo se no resultado final minha obra com suas madeiras torneadas e roliças, sublinhadas por anéis de cores pintados, seja francamente feminina”.

Em seu texto crítico, o curador da exposição Marc Pottier diz que “os “camaleões” de Renata compõem, pelas paralelas, perpendiculares e oblíquas que formam em sua apresentação, uma construção de retas, cujo ponto de fuga desaparece à vista do espectador, imergindo-o nesta exposição-instalação”:

“As transformações propostas por Renata Adler fazem parte de suas interrogações artísticas e filosóficas: movimento, mudança, integração e sincronização, com todos os riscos e incertezas que produz este tipo de trabalho. O movimento tem um lugar essencial na ontologia aristotélica que a inspira, pois é através do movimento que o filósofo será levado a reconhecer “a diversidade das acepções do ser”, acrescenta Pottier.
A exposição se divide em ambientes brancos e claros e salas escuras, onde uma projeção numa tela tramada de bronze falará sobre o processo de transformação da água.


Exposição "Uma contínua transformação" - Renata Adler - Casa de Cultura Laura Alvim

Exposição "Uma contínua transformação" - Renata Adler - Casa de Cultura Laura Alvim

 

SOBRE A ARTISTA

Renata Adler é jornalista por formação e atuou em redações de grandes veículos por mais de 10 anos. Ela se formou bacharel em artes pela Universidade em Boston, Massachusetts (EUA),  International Baccalaureate em fotografia e complementou os estudos de artes visuais na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, tendo como mentor o professor João Carlos Goldberg.

Em 2017, na exposição individual “O percurso dos planetas” no Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas, onde apresentou 25 obras que propunham um diálogo entre a terra e os planetas, fazendo uso de técnicas que provocavam reações químicas na matéria, luzes de led e elementos inusitados.

Também em 2017, fez sucesso com a instalação interativa “Camaleões e o Caminho da Transformação” na exposição Monumental, na Marina da Glória, ao incentivar o público a cruzar um túnel “entre dois mundos”, da inércia para o sucesso, segundo ela. Os efeitos visuais ficavam por conta das esculturas de madeira penduradas na árvore ao lado.

SERVIÇO

  • Aberturas: 19 de fevereiro de 2019 a partir das 18h até 22h – terça
  • Exposição: 20 de fevereiro até 31 de março 2019
  • Entrada: Franca
  • Horário: terça a domingo, das 13h às 20h
  • Local: Casa de Cultura Laura Alvim
  • Endereço: Av. Vieira Souto, 176 – Ipanema – Rio de Janeiro, RJ
  • Telefone: +55 21 2332-2016
  • Site: http://www.casadeculturalauraalvim.rj.gov.br/
  • Email: ccla@funarj.rj.gov.br

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